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Pés depois das férias: sinais a avaliar no regresso à rotina

Depois das férias, os pés voltam à rotina: sapatilhas, caminhadas, treinos, deslocações e mais horas em movimento. Por vezes, regressam também alguns incómodos: a bolha no mesmo sítio, a pressão nos dedos ou aquela dor que parecia ter desaparecido durante a pausa.

É fácil desvalorizar estas queixas quando ainda se consegue continuar. Troca-se de meias, aperta-se melhor a sapatilha, espera-se que passe. Quando o desconforto se repete, importa perceber o que o está a provocar.

O podologista ajuda a esclarecer a relação entre os pés, o calçado e a atividade praticada. O seu aconselhamento também é útil antes de haver dor: quando surgem dúvidas sobre a escolha de sapatilhas, ou sobre o regresso a uma modalidade depois de uma lesão.

Avaliação dos pés depois das férias em consulta de podologia no Porto

Aquele incómodo já existia antes das férias?

Se um desconforto desaparece nas férias e regressa com a rotina, essa oscilação já é, em si, informação clínica a levar à consulta de podologia. Durante a pausa, é possível ter deixado de correr, reduzido as caminhadas ou passado menos horas com determinado calçado. Se o desconforto tinha diminuído nesse período e voltou com a rotina, essa informação é relevante.

Repare em quando acontece: nos primeiros minutos ou só no fim do treino? Com qualquer calçado ou só com um par? Também incomoda a caminhar no dia a dia?

Não é preciso chegar à consulta com uma explicação pronta. Estas observações ajudam o podologista a compreender a queixa e a orientar a avaliação.

Uma dor que regressa sempre que corre, uma calosidade que incomoda a cada caminhada ou uma unha repetidamente traumatizada justificam atenção, mesmo que ainda consiga fazer a atividade normalmente.

As sapatilhas ainda estão boas. Mas continuam a ser adequadas

Ao observar os pés depois das férias, o calçado habitual deve ser avaliado com atenção. O aspeto exterior nem sempre responde a esta pergunta: um par bem conservado pode, ainda assim, apertar os dedos, deixar o calcanhar deslizar ou provocar atrito sempre no mesmo ponto.

Antes de voltar aos treinos, experimente as sapatilhas com as meias que costuma usar. Caminhe um pouco e observe o ajuste: os dedos têm espaço? O pé fica seguro? Há alguma zona a fazer pressão?

O calçado deve ser confortável desde o início: não conte com os treinos para resolver um modelo que já causa incómodo ao experimentar. A American Academy of Orthopaedic Surgeons é específica quanto a isto: recomenda cerca de 1,3 cm de espaço entre o dedo mais longo e a ponta do sapato, medido com as meias que vai efetivamente usar, e desaconselha comprar um par que sinta que os dedos tocam à frente ou que precisa apertar bem para o pé não deslizar lá dentro. Este cuidado tem justificação clínica: o calçado com ajuste incorreto está associado a maior risco de dor e de alterações como calosidades e deformidades dos dedos, tanto em crianças como em adultos (Buldt & Menz, 2018).

Também importa pensar no uso que lhe vai dar. As sapatilhas das caminhadas podem não servir para uma modalidade com saltos e mudanças rápidas de direção. Se vai começar uma atividade nova, confirme com o treinador ou professor quais são os requisitos do equipamento.

Quando é difícil encontrar um par confortável, o aconselhamento do podologista ajuda a identificar as características mais adequadas ao seu pé e à utilização prevista.

Nem tudo se resolve com outro par

Comprar sapatilhas novas nem sempre resolve o desconforto: por vezes o problema está no ritmo do treino ou numa lesão de pele ou unha, não no calçado. Perante desconforto, comprar sapatilhas novas pode parecer a solução mais imediata. Por vezes, o ajuste do calçado precisa mesmo de ser revisto. Noutras situações, há outros fatores a considerar.

Pode ter aumentado a distância das caminhadas, passado a treinar mais vezes ou mudado de piso, sem que o problema esteja no calçado: está no ritmo dessa progressão. Um aumento rápido e pouco habituado do volume ou da intensidade de treino, sobretudo depois de uma pausa, associa-se a mais lesões dos tecidos moles do que o próprio volume de treino em si (Gabbett, 2016). Pode também existir uma lesão da pele ou das unhas que precisa de cuidados específicos.

Na consulta de podologia, estas informações são analisadas em conjunto com a observação dos pés e, quando necessário, do apoio e do movimento. A orientação depende do que for identificado e pode incluir cuidados locais, alterações no calçado, exercícios ou acompanhamento por outro profissional.

Também não significa que vá precisar de palmilhas: a sua utilização deve ter indicação clínica e um objetivo explicado durante a consulta.

Há sinais que se tornam parte da rotina sem que devessem

Levar sempre um penso para a bolha que vai aparecer. Desapertar as sapatilhas a meio da caminhada. Evitar um exercício porque já se sabe que vai incomodar.

Quando estas adaptações se repetem, o desconforto passa a condicionar a atividade, mesmo que não impeça de a continuar.

Procure orientação se reconhece alguma destas situações:

  • Dor nos pés ou tornozelos que reaparece durante ou depois do exercício.
  • Bolhas frequentes, calosidades dolorosas ou marcas de pressão.
  • Unhas que ficam traumatizadas após os treinos.
  • Sensação de instabilidade ou entorses repetidas.
  • Alterações na pele ou nas unhas que persistem.

O objetivo da consulta é compreender o que está a acontecer e orientar os cuidados necessários. Nem todas as queixas têm origem no apoio do pé ou no calçado, e pode ser necessário encaminhamento para outro profissional.

E os mais novos, como estão a voltar aos treinos?

Confirme o ajuste das chuteiras ou sapatilhas da época anterior antes das primeiras aulas: o pé cresceu durante o ano, mesmo que o calçado pareça igual. Entre a compra do material escolar e a organização dos horários, é fácil assumir que servem sem verificar. Pergunte também se há algum ponto a apertar.

Preste também atenção à forma como a criança participa: se pede para parar com frequência, evita correr ou se queixa sempre depois da atividade, procure perceber o que mudou e fale com o professor ou treinador.

Nos períodos de crescimento, a frequência dos treinos e o tempo de recuperação merecem atenção redobrada. O crescimento ósseo, mais rápido do que o muscular nestas fases, deixa as cartilagens de crescimento mais vulneráveis a lesões por sobrecarga, sobretudo quando a criança joga a mesma modalidade o ano inteiro ou acumula treinos em mais do que uma equipa (American Academy of Orthopaedic Surgeons). As queixas repetidas não devem ser atribuídas automaticamente à falta de hábito ou ao crescimento.

Se a criança começar a coxear sem causa evidente, procure avaliação médica. Segundo o NHS britânico, a incapacidade de apoiar o peso na perna, febre alta ou mal-estar geral associados à dificuldade em caminhar são sinais que justificam atenção urgente.

O aconselhamento pode começar antes da dor

Talvez vá começar a correr e tenha dúvidas sobre o calçado. Talvez queira voltar à dança depois de uma lesão, ou perceber se as palmilhas que utiliza continuam ajustadas às suas necessidades.

Estas dúvidas também têm lugar numa consulta de podologia. Não é preciso esperar que o desconforto interfira com os planos para procurar orientação.

O regresso às rotinas não exige consulta para toda a gente. Mas pode ser uma boa altura para esclarecer uma preocupação que ficou adiada, ou para dar atenção a uma queixa que já existia antes das férias.

Consulta de podologia na PodoAntas, no Porto

Se, ao retomar as caminhadas ou os treinos, voltou a sentir aquele incómodo, conte-nos o que acontece. Na PodoAntas, procuramos compreender as suas queixas no contexto da atividade que pratica, do calçado que utiliza e da sua rotina.

Pode também procurar-nos para aconselhamento sobre os cuidados com os pés e a escolha de calçado, para si ou para os mais novos da casa.

Marque a sua consulta de podologia na PodoAntas para esclarecer as suas dúvidas e obter orientação ajustada a si.

Perguntas frequentes sobre Pés depois das férias

Porque é que as sapatilhas voltam a incomodar depois das férias, se antes estavam bem?

Porque mudou o uso, não necessariamente o calçado: durante a pausa reduz-se a distância percorrida, a frequência dos treinos ou o tempo de utilização de um determinado par, e um aumento rápido do volume ou da intensidade ao retomar a rotina associa-se a mais lesões dos tecidos moles. Um desconforto que desaparecia nas férias e regressa com a rotina é informação relevante a levar à consulta.

Como sei se as minhas sapatilhas ainda são as certas para mim?

Experimente-as com as meias que costuma usar e caminhe um pouco antes de voltar aos treinos: deve haver cerca de 1,3 cm de espaço entre o dedo mais longo e a ponta do sapato, o calcanhar não deve escorregar e não deve ser preciso esticar o modelo nem usar proteções para deixar de deslizar. Se precisar disso à saída da loja, não é o par certo.

É preciso trocar de sapatilhas sempre que aparece dor ao caminhar ou correr?

Não necessariamente. Por vezes o ajuste do calçado precisa mesmo de ser revisto, mas noutras situações a causa está no ritmo da progressão do treino ou numa lesão de pele ou de unha que exige cuidados específicos, não um par novo. É a avaliação, não a substituição do calçado por tentativa e erro, que distingue estas situações.

Quando devo procurar um podologista depois de retomar a atividade física?

Sempre que houver dor nos pés ou tornozelos que reaparece com o exercício, bolhas ou calosidades frequentes, unhas traumatizadas, sensação de instabilidade ou entorses repetidas, ou alterações da pele e das unhas que persistem. Também vale a pena procurar orientação antes da dor, ao iniciar uma atividade nova ou ao regressar depois de uma lesão.

Referências científicas

American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo). Shoes: Finding the Right Fit. Disponível em: https://www.orthoinfo.org/staying-healthy/shoes-finding-the-right-fit/

American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo). Overuse Injuries in Children. Murphy-Zane MS; revisão da Pediatric Orthopaedic Society of North America (POSNA). Disponível em: https://www.orthoinfo.org/diseases–conditions/overuse-injuries-in-children/

NHS. Limping in children. Disponível em: https://www.nhs.uk/symptoms/limp-in-children/

Gabbett TJ. The training-injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder? Br J Sports Med. 2016;50(5):273-280. DOI: 10.1136/bjsports-2015-095788

Buldt AK, Menz HB. Incorrectly fitted footwear, foot pain and foot disorders: a systematic search and narrative review of the literature. J Foot Ankle Res. 2018;11:43. DOI: 10.1186/s13047-018-0284-z

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